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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Google pretende digitalizar documentos bíblicos

Depois de avançar sobre a digitalização de livros, agora são os Manuscritos do Mar Morto que estão na mira do Google.

Em parceria com o Museu Israelense, a empresa pretende levar os documentos para a internet.
Descobertos ao acaso a partir de 1947, os manuscritos foram encontrados acondicionados em jarros, em Qumram, no Mar Morto. Além de conter as mais antigas versões de textos bíblicos, os manuscritos contém  livros apócrifos e regras da seita judaica dos Essênios que, acreditam os pesquisadores, teve influência no cristianismo primitivo.
Os documentos terão uma resolução superior a 1200 megapixels, sendo possível uma análise profunda até mesmo da superfície que os textos foram escritos. Além do hebraico original, os textos estarão disponíveis em inglês.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

As origens do Halloween



Por Eric Klinke A. Coelho

Comemorado principalmente nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, o Dia das Bruxas (Halloween) é comemorado no dia 31 de outubro. Atualmente a comemoração ganha força no Brasil, principalmente graças às escolas de idiomas e à influência cultural estadunidense.


Suas origens mesclam influências pagãs e cristãs.

Entre os celtas havia um festival importante, que marcava o início do seu ano, o samhain. Ocorrendo entre o equinócio de verão e o solstício de inverno, o festival marcava o fim do verão (samhain, em celta significa fim do verão). Ocorrendo entre o fim de outubro e o início de novembro, uma de suas datas mais importantes era o Dia dos Mortos. Os sacerdotes druidas (gravura ao lado) presidiam as cerimônias em homenagem aos antepassados. Acreditava-se que nesses dias os espíritos dos mortos voltavam para suas antigas casas, para ajudar a guiar sua família.

Entre os cristãos, desde o século V havia uma festa em honra a Todos os Mártires. Originalmente celebrada no dia 13 de maio, o papa Gregório III, no século VIII moveu a festa de Todos os Santos para o dia 1º de novembro, dia em que havia sido consagrada a capela de Todos os Santos na antiga Basílica de S. Pedro, em Roma.

Por ser uma festa importante dentro da liturgia católica, tinha uma cerimônia de vigília, para preparação, que ocorria na noite do dia 31 de outubro. Essa cerimônia era chamada, em língua inglesa de All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), que possivelmente deu origem ao nome atual da festa, Halloween.


Como se pode observar, originalmente a festa não tinha relação com bruxas. A associação ocorreu durante a Idade Média. Nesse período, inicia-se a perseguição a todo aquele que praticasse curandeirismo ou rituais pagãos. Milhares, principalmente mulheres, foram condenados à morte na fogueira. Como era a maior festa celta, religião pagã aos olhos do cristianismo, a festa foi associada às supostas atividades e rituais das bruxas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A idade de Cristo

Por Eric K. A. Coellho

A tradição popular diz que Jesus de Nazaré tinha 33 anos ao ser crucificado. Muitos dos que tem ou já tiveram 33 anos já ouviram a frase, normalmente acompanhada de um piedoso olhar, logo após ser dita a idade: “ah, a idade de Cristo”.


A noção de que Jesus morreu com 33 anos se baseia em vários pressupostos errados, como por exemplo, o de que o Seu nascimento ocorreu no ano zero e Sua morte no ano 33. Apenas apontando um erro básico, Ele teria ainda 32 anos, já que só completaria 33 em Seu “aniversário” em dezembro.

Além disso, não existe ano zero em nosso calendário. Do ano 1 antes de Cristo passamos para o ano 1 depois de Cristo. Isso porque, quando o calendário Cristão foi proposto pelo monge Dionísio Exíguo ou o Pequeno (no sentido de humildade), no século VI, ele foi criado sem o ano zero. Como ainda hoje, não existia o número zero em numerais romanos.

Até Dionísio, o chamado calendário cristão tomava como referência a perseguição aos cristãos perpetrada pelo imperador romano Diocleciano, que governou entre 284 e 305. Dionísio, ao desenvolver uma tabela para a festa da Páscoa, preferiu contar a partir do nascimento de Cristo, e não dessa grande perseguição. Assim, tendo como referência as informações dos evangelhos, estipulou o ano de 753 do calendário romano, como ano 1 do novo calendário cristão (ou I anno Domine). O problema é que Dionísio errou e Jesus não nasceu realmente no ano 1. Apesar da contradição inerente à frase, Jesus nasceu cerca de seis ou sete anos antes de Cristo.


Quando nasceu?

Mateus diz que Jesus nasceu sob o governo de Herodes o Grande. Sabe-se exatamente em que ano morreu: 4 a.C. Assim, Jesus teria que ter nascido antes de 4 a.C, se a informação de Mateus estiver correta.


Outra informação, dada por outro evangelista (Lucas), vem trazer, na verdade mais problemas na datação. Ele informa ter havido um recenseamento em todo o império por ordem de Otávio Augusto, durante o governo de Quirino. Públio Sulpício Quirino foi governador da Síria entre 6 d.C. e 12 d.C., quando ocorreu um recenseamento não em todo império, mas apenas na província da Síria. O período de Quirino como governador não bate cronologicamente com o período em que reinou Herodes, já morto na época de Quirino. Mas segundo alguns documentos, Sulpício Quirino esteve em posição de comando militar na Síria entre 10 a.C. e 7 a.C., com Herodes ainda vivo. Entretanto, fora o relato de Lucas, nenhum outro relato extrabíblico cita um recenseamento nesse período.

O que poderia ajudar na datação seria o fenômeno citado por Mateus e que a tradição batizou como Estrela de Belém. Várias hipóteses já foram levantadas como cometa, uma Nova ou uma Supernova (explosão de uma estrela). Porém, não existe relato extrabíblico de fenômeno astronômico no período. Johannes Kepler sugeriu em 1603 que uma conjunção por ele observada poderia ser o fenômeno. A conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes aconteceu três vezes também em 7 a.C. e foi visível na região do Oriente Médio. Os tradicionalmente conhecidos como “magos do oriente” (que poderiam ter sido sacerdotes-astrólogos caldeus) poderiam ter associado essa conjunção ao messias judeu.


Representação gráfica da conjunção, como foi vista no dia 4 de dezembro de 7 a.C. em Jerusalém

Dessa forma, é possível que o nascimento de Jesus tenha ocorrido no ano 7 a.C.

Em que dia?

É impossível que Ele tenha nascido em 25 de dezembro. Lucas cita que havia pastores nos campos quando do nascimento. Durante o inverno os rebanhos ficavam recolhidos, sendo levados para as pastagens entre os meses de março e novembro. Assim, se a informação de Lucas está correta, o nascimento poderia ter ocorrido em qualquer dia entre março e novembro.

Comemorado desde o séc. IV em 25 de dezembro, o dia de Natal era originalmente a Festa do Sol Invencível, que corresponde com o solstício de inverno. Também era próximo ao final da Saturnália, em honra ao deus Saturno, época em Roma de festas e troca de presentes. Além disso, o dia 25 era o dia de nascimento do deus persa Mitra, muito popular em Roma. Com a igreja cristã se fortalecendo, ao invés de proibir as festividades, ela associou sua própria festividade às outras, suplantando a festa do aniversário de Cristo sobre as outras.

O dia exato é praticamente impossível de ser determinado. Mas se tomarmos textualmente a Bíblia como fonte de informação, a época do nascimento pode ser aproximado em função das escalas de serviços dos sacerdotes no Templo. Zacarias, pai de João Batista, primo de Jesus, era sacerdote. Segundo sua escala, ele teria deixado Jerusalém após servir no Templo na 10ª semana do ano religioso judaico. Segundo Lucas, Isabel, sua esposa, teria concebido logo depois.

Presumindo que a conjunção descoberta por Kepler poderia ser a “estrela de Belém” e que o ano do nascimento de Jesus seja 7 a.C, precisaremos recuar para o ano 8 a.C. (ano 3752 do calendário judaico). Zacarias teria deixado Jerusalém e seu turno no Templo no dia 5 de junho de 8 a.C. (dia 17 de sivan, no calendário judaico). A concepção, portanto, teria acontecido logo após.

O texto de Lucas diz que Maria concebeu quando Isabel estava no sexto mês de gestação. Lembrando que o mês judaico é lunar (29,5 dias), seis meses lunares são 177 dias. Dessa forma, a concepção de Maria teria ocorrido no início de dezembro do ano 8 a.C..

Sabendo que a gestação humana tem em média 280 dias, João Batista teria nascido em meados de março do ano seguinte, 7 a.C.. E Jesus teria nascido, utilizando literalmente as informações da Bíblia, nas primeiras semanas de setembro do ano 7 a.C..

Quando morreu?

Quanto ao ano da morte, a presença dos principais personagens no poder estabelece um período: José Caifás foi sumo sacerdote de 18 d.C. a 36 d.C. e Pôncio Pilatos foi prefeito da Judéia entre 26 d.C. e 36 d.C.. Dessa forma, o processo de julgamento de Jesus teria que ter ocorrido entre 26 d.C e 36 d.C..

Segundo os evangelhos, Jesus foi julgado e morto no erebh shabbath, o dia da preparação, que antecede o shabat, o sábado de descanso, quando nenhuma atividade deveria ser realizada. Foi morto em uma sexta-feira, portanto. Ainda segundo os evangelhos, nessa mesma sexta-feira à noite (sábado segundo o calendário judaico, pois o “dia” inicia-se com o pôr do sol) a ceia pascal.

Dessa forma, no calendário judaico, Jesus foi crucificado no dia 14 de Nissan, dia em que ocorria o sacrifício do cordeiro no Templo. Com essas informações é possível precisar o ano.

A tradição diz que Jesus foi crucificado em 33 d.C.. Ocorre que, consultando o calendário judaico, o dia 14 de Nissan, no ano 33 caiu em um sábado. No período que Pilatos foi prefeito da Judéia, o único ano em que o dia 14 de Nissan caiu em uma sexta-feira foi no ano 30. Portanto, a crucificação ocorreu no dia 4 de abril do ano 30 d.C..

Tendo a data provável do nascimento (setembro de 7 a.C.) e da morte (4 de abril de 30 d.C), podemos voltar ao questionamento inicial: com quantos anos Jesus teria morrido, qual era a “idade de Cristo”? Jesus completaria 36 anos em setembro de 30, tendo, portanto 35 anos incompletos.