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domingo, 15 de maio de 2011

Arthur, o herói da Bretanha

 

No mundo real, o dono da lendária Excalibur não foi rei nem se reunia com seus cavaleiros em torno da távola redonda, mas organizou uma resistência sem precedentes contra os bárbaros que ameaçavam sua terra

por Reinaldo José Lopes

sábado, 19 de março de 2011

A origem do bolo de aniversário

Delicioso costume teve origem nas oferendas feitas aos deuses da Antiguidade

por Rodrigo Cavalcante

Celebrar uma data importante com direito a guloseimas tem sua provável origem nas festas de culto aos deuses da Antiguidade. Agradeça à deusa Ártemis, celebrada pelos gregos como a matrona da fertilidade, pelo aparecimento do bolo de aniversário. Ele é provavelmente a evolução de um preparado de mel e pão, no formato de uma lua, que fiéis levavam ao famoso templo em homenagem a ela em Éfeso, antiga colônia grega na atual Turquia.
Há especialistas que defendem outra teoria. Segundo ela, a tradição surgiu na Alemanha medieval, onde se costumava preparar uma massa de pão doce no formato do menino Jesus no Natal. Depois essa guloseima seria adaptada para a comemoração do aniversário de crianças.
Já o uso de velas também teria sido herdado do culto aos deuses antigos, que tinham a missão de levar, por meio da fumaça, os desejos e as preces dos fiéis até o céu, para que eles fossem atendidos.
Mas e as festas de aniversário? Até hoje, não se sabe a data exata de quando os nascimentos começaram a ser celebrados. Ainda nos dias atuais, a comemoração é um costume ocidental nem sempre seguido por outros povos. No Vietnã, por exemplo, os aniversários não são comemorados individualmente no dia do nascimento – e sim coletivamente, no ano-novo vietnamita, que segue o calendário lunar e acontece, em geral, entre os nossos 21 de janeiro e 9 de fevereiro.
Embora não saibam exatamente quando a tradição surgiu no Ocidente, os historiadores sabem que a festa já era conhecida na Antiguidade. “Os romanos não apenas comemoravam o dia do nascimento como tinham um nome para a festa: dies sollemnis natalis”, diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas. “Há, por exemplo, um registro do século 2 em que uma cidadã chamada Cláudia Severa convida sua amiga Sulpícia Lepidina para a comemoração”, diz.
Outra tese que reforça a idéia de que foram os romanos os difusores dessa tradição é a existência de túmulos que registram com precisão o número de anos, meses e dias no sarcófago – o que indica que eles sabiam o dia exato do nascimento do sujeito. “Eles também comemoravam outros aniversários, como o da fundação de Roma, em 21 de abril”, diz Funari.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

E viveram felizes para sempre...



Ou não. Os casamentos reais misturam tradições da nobreza e dores da vida real em rituais que, ainda hoje, lembram contos de fada

por Jeanne Callegari

Moça comum conhece estrangeiro encantador. Apaixonam-se e ela descobre que ele é o príncipe de um país europeu. Os dois se casam e vivem felizes para sempre. Conto de fadas? Não. Essa é a história real de Mary Donaldson, a publicitária australiana que conquistou o coração do príncipe Frederik, da Dinamarca (foto acima). O casal se encontrou pela primeira vez durante a Olimpíada de Sydney, em 2000, e, quatro anos depois, protagonizou um dos casamentos mais românticos da realeza, na catedral de Copenhague. Ela desfilou com um vestido de 6 metros de cauda e um véu feito de renda irlandesa de 100 anos. Ele quebrou o protocolo e chorou no altar, enquanto esperava a chegada da noiva. Ao fim da celebração, o casal seguiu de carruagem até o palácio de Fredensborg, residência de primavera da família do noivo, para o beijo público junto ao balcão. A jovem nascida na Tasmânia, filha de um professor de Matemática, ganhou, assim, o título de sua alteza real e princesa herdeira do trono da Dinamarca.

Como a maioria dos casamentos reais, marcados por pompa e tradição, esse também foi acompanhado por milhares de pessoas. "A mágica do evento fascina o público: um vestido de tirar o fôlego, o desfile em um Rolls-Royce conversível ou mesmo em uma carruagem dourada", diz Julia Melchior, autora do livro Royal Weddings ("Casamentos reais"), escrito em parceria com Friederike Haedecke. "E, apesar da organização cuidadosa, em cada casamento real ocorrem coisas engraçadas em que ninguém pensou antes." É o anel que não entra no dedo, um lenço que aparece quando não devia, a tiara que some na última hora. Deslizes que aproximam os soberanos de seus súditos, que torcem pelos casais e choram junto com eles.

Os gestos rituais impressionam também por conseguirem, em momentos inspirados, sintetizar significados e valores antigos da monarquia. No casamento de Máxima Zorreguieta com o príncipe Willem-Alexander, da Holanda, todos prenderam a respiração, quando a aliança resistiu a encaixar no dedo da noiva. A joia finalmente coube tão perfeitamente no anular da princesa quanto o sapato de cristal no pé de Cinderela. E a plateia comemorou, como se assistisse ao triunfo definitivo do amor sobre a política.

Máxima era argentina e plebeia, mas não foram esses os principais obstáculos ao casamento. O problema era de outra natureza. A união dependia, por lei, da aprovação do Parlamento, mas enfrentou resistências porque o pai da noiva, Jorge Zorreguieta, participara da ditadura militar argentina como secretário da Agricultura e da Pecuária, de 1976 a 1983. Depois de difíceis debates, uma solução negociada permitiu a cerimônia, mas proibiu a presença dos pais de Máxima. A ausência da família deu um toque amargo ao casamento. Emocionada, a noiva chorou ao som do tango Adiós Nonino ("Tchau, papai"), de Astor Piazzolla. Depois da cerimônia, realizada em 2002, o casal saiu em uma carruagem dourada pelas ruas e subiu à sacada do palácio real para o beijo do final feliz.

Durante a crise, Willem-Alexander teve o apoio integral de sua mãe, a rainha Beatrix. Afinal, ela havia escolhido, anos antes, um diplomata alemão para marido e também sofrera pressões. No dia do casamento com Claus von Amsberg, em março de 1966, seis bombas explodiram em protesto, em diferentes pontos de Amsterdã. Ainda havia muito rancor contra os alemães nos países ocupados durante a Segunda Guerra Mundial. E era difícil aceitar um ex-integrante da Juventude Hitlerista na Casa Real holandesa. O Parlamento só autorizou o enlace após historiadores terem garantido que Claus não havia participado nem de crimes de guerra nem de atos antissemitas.



Se as feridas estavam abertas 20 anos depois do conflito, o que não dizer do estado de espírito dos britânicos em julho de 1947. Menos de dois anos após o fim da guerra na Europa, o rei George VI anunciou o noivado de sua filha, Elizabeth, com Philip Mountbatten, grego, mas filho de uma alemã (acima, foto durante o casamento). O casamento aconteceu num dia frio e chuvoso, tipicamente londrino. No difícil pós-guerra, a cerimônia foi austera. Como prato principal, serviu-se perdiz, um dos únicos tipos de carne excluídos do racionamento. Para o vestido de Elizabeth, o governo emitiu 200 cupons destinados à aquisição racionada de roupas ou tecidos. Muitas mulheres também enviaram à noiva seus cupons, mas o uso de tíquetes de terceiros estava proibido e Elizabeth os devolveu. Ou seja, o incômodo dos súditos com a origem do noivo da princesa durou pouco. Centenas de milhares de pessoas enfrentaram o clima ruim para ver o casal no balcão da estação Waterloo.

No fim do século 20, nem a guerra nem a diferença de classes eram mais uma barreira. Mas Mette-Marit, a noiva do príncipe Haakon, da Noruega, além de plebeia, era mãe solteira. Mesmo na liberal Noruega, houve reclamações. Os súditos desconfiavam da loura que o príncipe conhecera em um festival de rock e circulavam rumores sobre seu passado. A três dias do casamento, ela admitiu à imprensa que tivera uma vida extravagante, mas argumentou que suas experiências a haviam tornado forte e madura. Uma onda de simpatia correu o país e, no casamento, em 2001, a população estava encantada com ela. Mette-Marit e Haakon entraram juntos na catedral de Oslo e convidaram 50 plebeus para o baile, incluindo amigos ex-viciados em drogas. Mas o príncipe deu à noiva a mesma aliança que o avô, Olavo V, e que seu pai, Harald V, haviam dado às suas escolhidas.

Não é fácil atualizar convenções. Friederike Haedecke e Julia Melchior descrevem 14 casamentos reais e mostram o quanto da história da monarquia está viva. São fotos e detalhes das cerimônias, que, muitas vezes, tentaram conciliar modernidade e tradição. Em 1993, o casamento do príncipe Naruhito, do Japão, combinou ritos seculares a um desfile de Rolls-Royce conversível, a pedido da noiva, Masako. Ela deixou uma carreira promissora no Ministério das Relações Exteriores, e o futuro marido prometeu ajudá-la na difícil transição para a vida solitária do palácio. Momentos da celebração só puderam ser vistos pelos sacerdotes. Os 812 convidados esperaram no vestíbulo, enquanto o casal fazia seus votos no templo da deusa do sol, Amaterasu, no palácio imperial, em Tóquio. A noiva vestiu 12 camadas de quimonos, pesando 10 quilos.

Dancing Queen

O que a cerimônia japonesa teve de reservada, o casamento do rei da Suécia, Carl Gustaf, em 1976, teve de popular. A começar por um dos presentes: show oferecido pelo Abba, banda pop do país que compôs para a futura rainha Sílvia, brasileira filha de alemães, um dos maiores sucessos de todos os tempos - Dancing Queen. Mesmo assim, como todo casamento real, foi organizadíssimo e custou 1,5 milhão de euros, em moeda atual.

O casamento precede uma questão vital para a realeza: a obrigação de gerar sucessores. Acabou assim a união do xá da Pérsia (Irã), Mohammed Reza Pahlevi, com Soraya Bakhtiari (1932-2001), chamada de princesa triste. Por mais que afirmasse amá-la, ele se divorciou dela em 1958. Decisão inútil, porque os filhos do enlace seguinte, com Farah Diba, não chegaram ao poder: o xá foi deposto em 1979. Mas o casamento, quando Soraya tinha 18 anos, em 1951, foi um dos mais grandiosos da História. No baile, a imperatriz, que convalescia de doença desconhecida, quase desfaleceu sob os 20 quilos de um Dior com diamantes e plumas de marabu (um tipo de cegonha). O xá mandou tirar 10 metros da cauda do vestido, e, à base de sais, Soraya aguentou até as 2 da manhã, quando o banquete terminou.

Toda de branco

A rainha Vitória consagrou a cor do vestido
"Murmúrios se espalharam entre os 300 convidados, na capela do palácio de Saint James, em Londres, quando a rainha Vitória da Inglaterra apareceu, usando um vestido de corpete justo e saia ampla. Mas o que fazia a visão realmente espetacular era o fato de que tudo, tanto vestido quanto véu, era branco" (pintura ao lado). Assim o livro Royal Weddings ("Casamentos reais") descreve o impacto causado pela rainha no casamento com o príncipe Albert, seu primo, em fevereiro de 1840. Ela não foi a primeira a ir ao altar de branco. Mas ajudou a firmar o costume. No século 19, todas as cores eram possíveis num vestido de casamento. Os plebeus usavam em geral tons escuros, que pudessem ser aproveitados em outros eventos. As noivas nobres, mesmo nas famílias reais, preferiam em geral tons de dourado e prateado para mostrar riqueza.

A OBRA

Royal Weddings
Frederike Haedecke e Julia Melchior, teNeues, 2008, US$ 29.70

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A origem do nomes dos meses do ano

Nosso calendário é regido por deuses, imperadores e números romanos

por Álvaro Oppermann
Antes de Roma ser fundada, as colinas de Alba eram ocupadas por tribos latinas, que dividiam o ano em períodos nomeados de acordo com seus deuses. Os romanos adaptaram essa estrutura. De acordo com alguns pensadores, como Plutarco (45-125), no princípio dessa civilização o ano tinha dez meses e começava por Martius (atual março). Os outros dois teriam sido acrescentados por Numa Pompílio, o segundo rei de Roma, que governou por volta de 700 a.C.

Os romanos não davam nome apenas para os meses, mas também para alguns dias especiais. O primeiro de cada mês se chamava Calendae e significava "dia de pagar as contas" - daí a origem da palavra calendário, "livro de contas". Idus marcava o meio do mês, e Nonae correspondia ao nono dia antes de Idus. E essa era apenas uma das diversas confusões da folhinha romana.

Até Júlio César (100 a.C.-46 a.C.) reformar o calendário local, os meses eram lunares (sincronizados com o movimento da lua, como hoje acontece em países muçulmanos), mas as festas em homenagem aos deuses permaneciam designadas pelas estações. O descompasso, de dez dias por ano, fazia com que, em todos os triênios, um décimo terceiro mês, o Intercalaris, tivesse que ser enxertado.

sábado, 24 de outubro de 2009

Como surgiu a expressão "discutir o sexo dos anjos"




Você provavelmente já ouviu a frase, empregada normalmente quando alguma discussão não leva a nada. O bizarro é que essa discussão do sexo dos anjos realmente existiu. Em 1453, durante a tomada de Constantinopla, a atual Istambul, na Turquia, pelos turcos otomanos, o imperador Constantino XI comandava a resistência e o negócio estava feio. Enquanto uma verdadeira guerra era travada (na batalha final, na tomada da cidade, os cristãos mal contavam com 7 mil soldados, enquanto os turcos dispunham de mais de 80 mil homens), as autoridades cristãs estavam reunidas num concílio. Entre os diversos assuntos das acaloradas discussões teológicas, os clérigos debatiam sobre o fato de os anjos terem ou não sexo. O imperador acabou morto durante a defesa da capital, assim como milhares de cristãos.
O Império Bizantino teve fim e os conquistadores estabeleceram o Império Otomano, comandado por Maomé II. E a conclusão do concílio? Eles não descobriram se os anjos tinham ou não sexo.